Quatro passos para
evitar perdas no varejo
Um dado atemorizante chamou a atenção
no levantamento FIA/USP sobre perdas no varejo
brasileiro, apresentado no final do ano passado:
31% das empresas do setor não têm
uma área estruturada para prevenção
de perdas. Ou seja, em plena era da informação,
um terço dos varejistas não têm
informações precisas sobre as causas
do desperdício em seus negócios.
Para termos a dimensão exata dos impactos
gerados pelos desperdícios para o negócio,
façamos um exercício de imaginação.
Suponhamos que um gestor hipotético resolva
fazer os inventários da loja apenas com
a equipe interna e sem conhecimento do procedimento
adequado.
Ao longo do inventário (que terá
exigido um dia de loja fechada e durado aproximadamente
48 horas), as embalagens individuais de pilha
AA foram contadas cinco vezes a mais, apesar de
não existirem em estoque.
Em contrapartida, as lâminas de barbear,
com excesso de itens em estoque, não foram
contabilizadas.
Os dois dados, imprecisos, foram atualizados no
sistema de gestão de estoque e, com base
nas informações “fidedignas”
do inventário caseiro, os compradores iniciaram
a negociação e o processo de compra
com os fornecedores, que, em seguida, enviaram
os produtos às lojas.
A situação descrita acima, realidade
em grande parte do varejo nacional, mostra a ocorrência
de pelo menos quatro perdas inter-relacionadas:
capital, material, oportunidade e tempo.
A primeira, ao executar o inventário sem
o devido preparo e o procedimento adequado, fez
com que a loja desperdiçasse tempo, com
diversos funcionários envolvidos em uma
operação ineficiente. Além
disso, a loja fechada foi responsável por
perdas de capital e oportunidade.
Após a contagem errada e a (in)devida atualização
no sistema, os compradores tomaram decisões
erradas, que acarretaram mais dispêndio
de tempo, comprando um lote de produtos existentes
na loja e não comprando itens fora de estoque,
por achar que estes já estavam na loja,
gerando mais uma perda de capital.
Ao receber e armazenar estes produtos, a loja
acabou gastando mais capital. Mal informada sobre
o excesso de estoque de pilhas AA, a área
de marketing lança um encarte para promover
o produto. Atraído pela promoção,
um determinado consumidor vai à loja e
se depara com a falta do produto procurado –
a chamada ruptura – gerando mais uma perda:
a de oportunidade.
Finalmente, um colaborador mal-intencionado, sabedor
da falta de controle por parte da matriz –
e acredite, isso acontece – furtou algumas
cartelas de lâminas de barbear, gerando
desperdício de material.
Menos fictícia do que parece, a situação
descrita acima confirma um movimento regressivo
no sentido de prever e prevenir o desperdício
no varejo, comprovado pelo levantamento FIA/USP,
que mostra aumento de cerca de 8% no índice
de perdas entre 2005 e 2006.
Obviamente, falar em desperdício zero é
algo utópico. Contudo, o índice
de perdas pode ser drasticamente reduzido, se
houver a adoção de serviços
especializados, realizados de forma profissional.
Como exemplo, posso citar quatro operações
importantes: 1 – inventário: se realizado
de forma metodológica e por profissionais
capacitados e idôneos, permite a mensuração
confiável da diferença exata entre
estoque físico e a informação
contábil de estoques, essencial para garantir
uma operação sem sobressaltos; 2
- checagem de mercadorias (IRM) no envio pelo
CD e na recepção nas lojas: apresenta
uma fotografia do seu processo logístico
e eventuais perdas na cadeia; 3 - contratação
de auditorias operacionais permanentes: dá
a medida exata dos gaps entre o processo teórico
e o prático; 4 – uso de serviços
como o Cliente Oculto: contribuem com a identificação
e a prevenção de possíveis
perdas de oportunidade.
Landsberg, Claudio
Claudio Landsberg é diretor comercial da
RGIS Brasil
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